Especial Black Sabbath

Reportagem escaneada de Roadie Crew: Edição #135 Abril 2010

Praticando um Blues pesado, com variações e improvisos herdados do Jazz, surgiu em Birmingham (ING) a banda Que estabeleceu novos rumos para o Rock. O nome, vindo do cinema, seria usado inicialmente apenas para intitular uma música cadenciada, densa, pesada e macabra, indo ao encontro da constatação de Que um grande público pagava para sentir medo vendo filmes de terror.

Porém, ao lançar o álbum de estreia há Quarenta anos, Ozzy Osbourne, Tony lommi, Geezer Butler e Bill Ward criaram bem mais Que um grupo de Rock pesado. Forjaram um mito chamado Black Sabbath. “O tipo de letra Que tínhamos, somado aos acordes de Tony, o jeito Que eu tocava, o modo

Que Ozzy cantava e a maneira Que Geezer tocavá o baixo acabaram deixando a nossa música um tanto diferente”, analisa o baterista Bill Ward com exclusividade para a ROADIE CREW.

Se no início Ozzy não gostava Que classificassem a banda como Heavy Metal, hoje os músicos têm motivo de sobra para se orgulhar. “Me sinto privilegiado de depois termos sido classificados como uma banda de Heavy Metal, não só pela música mas também pelas letras e as imagens Que usávamos no conceito da banda”, destaca Ward.

Afora servir de referência máxima do estilo, o Black Sabbath celebra em 2010 os Quarenta anos do lançamento de suas duas primeiras obras – Black Sabbath e Paranoid -, trinta anos do primeiro álbum com o vocalista Ronnie James Dio – Heaven And Helle vinte anos de Tyr. “É muito legal Que esta marca esteja sendo comemorada e por isso devo agradecer não só aos fãs mas à imprensa”, diz o baterista, Que falou sobre os dois primeiros registros e a fase turbulenta Que vivia Quando Ronnie James Dio substituiu Ozzy Osbourne.

Conversamos ainda com o baixista Neil Murray para contar sobre o Quar o trabalho da fase com Tony Martin. Uma homenagem mais do Que justa e merecida. Afinal, Qual banda de Heavy Metal poderá atingir em apenas um ano uma marca tão expressiva como esta?

Quando montaram sua primeira banda, em 1968, os então jovens músicos (com idades entre 19 e 20 anos) Ozzy Osbourne, Tony lommi, Geezer Butler e Bill Ward faziam o mesmo que boa parte das bandas emergentes da época: um Blues pesado. Porém, havia um diferencial: o peso da guitarra de lommi, que alguém chegou a definir como “um monolito” e que, por conta disso, acabaria rendendo à banda a honrosa posição de “criadores do Heavy Metal” – condição que Ozzy rejeitou por diversas vezes. “Acredito que esta classificação de Heavy Metal está correta e eu concordo com ela. O Black Sabbath em seu primeiro álbum alterou o modo como a música poderia ser captada”, analisa o baterista Bill Ward. “Queríamos tocar algo forte e poderoso e nos certificarmos que o público sentiria o impacto. E aquele foi um rumo natural que tomamos”, completa.

Inicialmente chamada Polka Tulk, nome rapidamente mudado para Earth por questões práticas, a banda conseguiu razoável sucesso na época, chegando a fazer uma tour pela Alemanha com várias datas no Star Club, mesma casa em que os Beatles começaram a fazer seu nome dez anos antes.

Já sob o nome Black Sabbath – havia uma banda Earth mais famosa na época -, o quarteto conseguiu um contrato com a Vertigo Records e se meteu no Regent Sound Studios para gravar seu disco de estreia. Em três dias e a um custo de 600 libras (1), Black Sabbath ficou pronto, sob o comando do produtor Rodger (Roger) Bain, um sujeito pouco mais velho que os músicos e que seria o responsável pelos dois próximos discos da banda e pelo trabalho de estreia do Judas Priest, Rocka Rol/a. “Rodger Bain e Tom Allom sabiam como cuidar de tudo numa gravação e do funcionamento de um estúdio, coisa que nós não sabíamos. Estávamos tentando seguir o que nos diziam para que fizéssemos tudo em tempo”, relembra Ward.

O álbum foi gravado ao vivo, com Ozzy cantando ao mesmo tempo em que os músicos tocavam, mas para uma banda que estava acostumada a fazer shows isto não foi um problema. “Rodger e Tom nos ajudaram muito e fizeram um bom trabalho, já que o som do Black Sabbath era agressivo, mas eles conseguiram captar bem nossa proposta musical com muito talento e paciência”, pondera o baterista.

O lançamento do disco (que ocorreria no dia 13 de fevereiro de 1970, não por acaso uma sexta-feira … ), foi precedido pelo single que trazia Evil Woman (Don‘t Play Your Games With Me) e Wicked World, que saiu em janeiro. O single chegou a ser relançado em março, mas nas duas ocasiões fracassou miseravelmente, sequer aparecendo nas paradas de sucesso. Por outro lado, o álbum virou um sucesso quase imediato. “Eu ainda penso que ele é atual. O primeiro álbum é honesto, uma música feita com coração e por isso se mantém vivo nestes quarenta anos”, observa Ward.

De imediato, chamava a atenção a capa, uma enigmática foto que até hoje gera discussões mostrando uma mulher vestida de preto com um moinho de água ao fundo. “A capa ainda permanece um mistério para mim. Nunca estive naquele moinho onde aquela foto foi tirada, mas gostaria de ir”, diz Ward. “O lugar até se tornou um ponto de visitação e até já imagino um anúncio dizendo ‘Visite Oxfordshire, o local onde o Black Sabbath tirou a foto da capa no Mapledurham Watermill’ … “, brinca o baterista.

No encarte, a gravadora decidiu por conta própria incluir a imagem de uma cruz invertida ao lado de um soturno poema de terror intitulado “Still Falls The Rain”. Isso somado ao nome da banda e à letra da música Black Sabbath foram o suficiente para gerar o rótulo de “satanista” ao quarteto.

Musicalmente, não é de todo errado dizer que o disco assustava. Ele abre com a faixa título, cuja introdução com um sino badalando em meio à tempestade dá um bom indício do que vem em seguida. O tema lento, arrastado e soturno tem harmonia composta sobre uma sequência de notas conhecida desde o século XVIII como “diabolus in musica” pelo fato de, segundo alguns, sugerir conotações satânicas. “Eu sentia que a nossa banda começou a se tornar diferente a partir daquela letra, especialmente no começo, que diz What is this that stands before me?.

Aquilo fez a diferença e nos colocou em um outro lugar diferente dos que vieram antes e dos que estavam vindo conosco. Estávamos fazendo uma coisa diferente”, observa o baterista.

Segundo BiII War , a música Black Sabbath foi o ponto crucial para definir não só a banda como a conduta inovadora para o estilo musical que estavam criando. “Sem desrespeitar meus contemporâneos, mas muito do que eles cantavam não era tâo corrosivo quanto um enunciado tão forte como What is this that stands before me?. Não quero criticar o que estavam fazendo e cantando em 1969, porque havia muita música de boa qualidade, mas o instrumental e a letra de Black Sabbath definiram uma forma diferente de se ver música”.

The Wizard, faixa seguinte, começa com um interessante solo de gaita de Ozzy e tem letra que muitos dizem ser inspirada no personagem Gandalf, da série de livros que depois se tornariam filmes “O Senhor dos Anéis”. “Ozzy tocava gaita de vez em quando, ainda naquela fase que estávamos na Alemanha tocando no Star Club. Este é mais um exemplo de como viemos do Blues e foi natural colocá-Ia nesta música, porque combinou e funcionou”, destaca Bill.

A mística que envolvia (e ainda envolve) a banda ganharia mais um capítulo com Beyond The Wall Df Sleep, música homônima a um conto de H.P. Lovecraft, autor americano que viveu de 1890 a 1937 e que se notabilizou por basear sua obra no terror, no suspense e na ficção científica. “Quando li aquele título eu fiquei fascinado, mas até então eu não sabia da obra de H.P. Lovecraft. Era coisa de Geezer. A música, mesmo, foi outra que surgiu de jams que fazíamos ao vivo nos clubes”, conta Ward.

O solo de baixo mais conhecido da história do Heavy Metal dá a ‘introdução para outro tema clássico, NI.B. O solo foi incluído no álbum porque, pela forma como ele foi gravado, a banda achou mais prático reproduzir no estúdio exatamente o que fazia no palco – e o solo era normalmente a introdução dessa música. A letra é uma espécie de narração de Satã em pessoa, aparentemente tentando cooptar alguém. Butler, seu autor, prefere dizer que se trata “do Diabo se apaixonando e se tornando uma boa pessoa.” Acredite quem quiser … Uma das muitas polêmicas que envolvem o disco Black Sabbath é o significado da sigla que dá nome à faixa. “Nativity In Black” ou até mesmo “Name In Blood” costumam ser as interpretações mais recorrentes, mas o motivo real é muito mais pueril: na verdade, esse nome surgiu por causa do cavanhaque pontudo que Ward usava na época, que se assemelhava à ponta de uma caneta tinteiro (“pen nib” em inglês). “Meu apelido é Nib. Tudo bem, éramos do Black Sabbath, com aquela imagem séria e tal, mas somos humanos e podíamos fazer piadas, também”, conta o baterista. NI.B. foi uma das primeiras músicas que compusemos e, para ser sincero, nunca entendi bem o significado da letra. Só sei que curto muito, ainda mais por ser como um sonho para qualquer baterista criar algo em cima dela. Os riffs de Tony, somados à liberdade que tínhamos para improvisar e fazer ‘jams’, acabaram sendo a tônica do nosso som e NI.B. é um bom exemplo disso”, completa.

Dois covers foram gravados em Black Sabbath: a já citada Evil Woman, originalmente gravado pela banda The Crow, e Warning, da banda Retaliation, do baterista Aysnley Dunbar. “A Warning era uma música que funcionava muito bem ao vivo e combinava bem como nosso estilo ‘bluesy’. Eu gostava de Aysnley Dunbar e acho que a linha de bateria também me motivou”, conta Bill. ‘:Já Evil Woman foi uma ideia do managment e, no final, não foi tão bem. Sem desrespeitar o The Crow, mas quando eu a escutei pela primeira vez não gostei. Segui o embalo como os outros e a fizemos, mas acredito que poderíamos ter gravado outra coisa”, ressalta.

O disco ainda traz o lado B do single de Evil Woman, Wicked World, que foi a primeira música composta pelo quarteto. “Ela foi feita na sala da casa de Tony! Me lembro que era um dia bem frio, estávamos tomando chá e comendo umas torradas. Tony tinha muitas bases e fomos fazendo alguns testes. E recordo perfeitamente de ter feito aquele começinho no chimbal, bem na onda do Gene Krupa”, recorda Ward.

Black Sabbath ainda traz a pouco lembrada mas interessantíssima Sleeping Vil/age, que tem um clima quase psicodélico na introdução e depois ganha uma interpretação inspirada por parte de toda a banda, especialmente de BUI, que não economiza nas viradas e no groove. “Aquilo era parte do nosso show. Tony trouxe a base principal, mas ela foi feita por todos, porque fazíamos aquilo ao vivo e era como uma passagem de uma música para outra. Você pode notar pequenos toques de Jazz na bateria, além da preocupação com os pratos. Considerand(i) a época e a nossa situação em estúdio, o som da bateria ficou bem aceitável. Fiquei contente que aquilo acabou entrando no disco!”, diz.

Essa verdadeira revolução sonora proporcionada pelo Black Sabbath não demorou a ter a devida resposta por parte do público. Enquanto pais tinham reações que iam da repulsa ao medo explícito, a garotada consumia Black Sabbath com a avidez de um sujeito perdido no deserto diante de uma garrafa d’água. Isso fez com que o disco fosse de cara para o 5° lugar da parada americana e atingisse o 8° posto no Reino Unido, conquistando ainda, ao longo do tempo, Disco de Platina nesses dois mercados e Disco de Ouro no Canadá. “Eu não esperava tamanha receptividade. Lembro que Tony e eu fomos para Londres fazer umas entrevistas. Saímos do trem e pegamos um táxi para ir à casa de nosso assessor. Lá ele nos contou que o Black Sabbath havia entrado nas paradas inglesas na 28a posição. Olhei para Tony e ficamos meio abobados por alguns instantes. Estávamos em choque, na verdade”, relembra Ward.

A surpresa do baterista foi ainda maior quando o assessor contou que grande parte da venda do álbum na primeira semana veio da região de Carlisle, em Cumbria, no norte da Inglaterra, onde ele e Tony lommi haviam residido dois anos antes. “Nossos primeiros seguidores vinham daquela região, que conta com diversas cidadezinhas, vilarejos e onde havia muitos clubes noturnos onde, obviamente, nos apresentamos. Por sinal, tocamos várias vezes em todos os locais! Cumbria foi o primeiro lugar onde nosso som foi aceito e pode ser considerada a primeira região onde havia Heavy Metal na Inglaterra”, conta.

Com tanto sucesso, não havia alternativa: a ordem era voltar ao estúdio o mais rápido possível para gravar o sucessor de Black Sabbath. “Após todo aquele estrondo na região de Cumbria, os clubes de Londres se tocaram e nossa popularidade continuou aumentando, inclusive em Birmingham”, enfatiza Ward.

Não há dúvida alguma de que alguém chegou para o pessoal do Black Sabbath após o estrondoso sucesso do disco de estreia e falou:

“Em time que está ganhando não se mexe!” Assim, praticamente tudo o que aconteceu no primeiro álbum se repetiu aqui: a banda gravou novamente no Regent Sound Studios com produção de Roger Bain, a gravadora que lançou o álbum foi a mesma Vertigo e o artista que assinou a capa era Marcus Keef, também responsável pela arte do disco de estreia. “Ter tido a oportunidade de retomar ao estúdio no mesmo ano foi uma grande conquista para nós. Ouvir uma pergunta como ‘Vocês querem ir para o estúdio gravar um novo disco?’ foi demais!”, destaca Bill Ward.

Porém, houve uma pequena diferença: enquanto Black Sabbath lev u três míseros dias para ser gravado, aqui o prazo foi mais elástico: foram seis dias inteiros na segunda quinzena de junho, exatamente o dobro do disco anterior!

Quando foi levada ao estúdio para registrar o novo disco, a banda encontrava-se numa rotina insana de shows, o que fez com que o repertório nem estivesse totalmente pronto quando começaram as gravações. “A banda estava tinindo, tínhamos feito sucesso com o primeiro álbum, vínhamos tocando por toda a Inglaterra e também pela Europa. E, se por um lado, ainda estávamos aprendendo bastante, o fato de estarmos realmente tocando bastante ao vivo nos ajudou”, descreve Bill.

Além disso, já era possível notar uma considerável mudança no som de Ozzy Osbourne, Tony lommi, Geezer Butler e Bill Ward. “Penso que quando fomos gravar Paranoid tínhamos evoluído enquanto músicos. Estávamos tocando melhor e acho até que nos mostramos bem mais criativos. Pelo menos eu me senti assim na questão da bateria, porque estava bem mais concentrado nos acordes de Tony e Geezer”, analisa o baterista.

A pegada Blues do disco inicial dava lugar a temas um pouco mais rápidos e com mais dinâmica. “As músicas mais famosas estão nesse álbum! Além disso, a que eu mais gosto do Sabbath é desse disco, Hand Df Doom“, observa Ward.

As letras passavam a tratar de temas mais  próximos do dia a dia das pessoas, como a Guerra do Vietnã, que comia solta na época e era citada em várias músicas. A guerra, aliás, acabou fazendo com que o disco mudasse de nome. Originalmente, ele deveria se chamar War Pigs, música obviamente inspirada no conflito, mas a gravadora dos EUA, Warner Bros., considerou que isso poderia “pegar mal” e, numa atitude tipicamente americana, resolveu mudá-Io. “Foi realmente politicagem da gravadora, que não queria o título War Pigs. Quando a compusemos, no final dos anos 60 e início de 1970, o Vietnã estava arrasado e eles não queriam usar aquele título no mercado americano”, explica Ward. “Ironicamente, War Pigs se tornou muito popular entre os soldados que retomavam do Vietnã. Eles amavam a música! Muita coisa era cortada e censurada nos EUA naquela época. Quando o Country Joe & The Fish apareceu em ‘Woodstock’ cantando ‘And it’s one, two, three / What are we fighting for?’ aquilo foi muito pesado para o festival porque era totalmente política”, fala o baterista referindo-se à música IFeel-Like-Im­Fixin-To-Die Rag, composta por Country Joe McDonald em 1965.

O nome escolhido, Paranoid, foi tirado da faixa que se tornou o primeiro single do álbum. Curiosamente, a música sequer existia quando a banda entrou em estúdio. Num determinado dia, lommi começou a arriscar uns riffs e em tempo recorde ela estava pronta. Eles a gravaram de imediato, com Ozzy balbuciando o lhe viesse à cabeça, para não perderem o momento. Posteriormente, Geezer escreveu a letra. “Tenho certeza de que a série de shows que fazíamos nos levou a criar um álbum com mais espontaneidade, como se vê com a música Paranoid, enfatiza Ward.

Lançada como single em julho de 1970 (o disco sairia em 18 de setembro), Paranoid não surpreendeu ninguém mais do que os próprios músicos quando se tornou um sucesso estrondoso, alcançando o segundo lugar na parada britânica – o primeiro posto era ocupado  por Black Night, do Deep Purple.

Mesmo com a mudança de título, o álbum continuou sendo aberto por War Pigs, com sua letra abertamente contra a guerra e sua introdução soturna – quem se assustou com o início do álbum anterior, deve ter tido crises de choro convulsivo ao ouvir os primeiros compassos do novo disco …

Essa música acabaria se tornando um clássico da banda, ao lado da faixa título e daquela que talvez seja o maior hit da banda até hoje: lron Man. O riff forjado por Tony lommi é daqueles que o público canta junto nos shows e o desenvolvimento do tema é, no mínimo, empolgante. “Quem de nós poderia imaginar que lron Man faria tanto sucesso pelo mundo?! Tony estava criando e não fazia ideia de que aquilo seria tão grande. Hoje em dia ela é tocada até em estádios de futebol, nos intervalos dos jogos. E é tocada também por bandas de escola”, comemora Ward. “Ela ultrapassou aquele patamar de ser apenas uma música do Black Sabbath”, completa.

Curiosamente, o título foi criado antes da letra.

Ozzy deu a ideia do Homem de Ferro (“iron man”) e Geezer desenvolveu a partir daí a história de um vilão que viaja no tempo, vê um futuro sombrio para a humanidade mas, quando volta, seu alerta não é levado a sério. Isso o leva a se revoltar contra a espécie humana, causando destruição. Segundo single do álbum, lançado em outubro de 1971, o tema, apesar de acabar se tornando um clássico indiscutível, não teve um bom resultado nas paradas.

Além desses temas clássicos, o disco traz ainda faixas que, se não fizeram tanto sucesso quanto as demais, não deixam a desejar em termos de qualidade, como Electric Funeral, Hand Df Doom e Fairies Wear Boots. “Tocar Fairies Wear Bopts ao vivo é uma satisfação para qualquer baterista, país ela é guiada pelo Jazz e tem uma melodia bacana. Posso fazer muita coisa quando a toco”, destaca. ‘Já Electric Funeral é um outro grande exemplo de Heavy Metal. Se alguém pedir para uma pessoa definir o estilo, pode mostrar esta música! Ela foi feita com este propósito e acho que fizemos um grande trabalho nela”, completa Ward.

Também fazem parte de Paranoid as faixas Planet Caravan, com seu clima “soturno/ psicodélico”, e a instrumental Rat Salad, que apresenta um curto mas interessante solo de bateria. “Aquilo era parte do solo que eu fazia nos shows. Nunca criei um solo, porque tocava o que queria ao vivo, mas aquilo era mesmo uma das sequências que usava nos shows. Naquela época, era muito comum os músicos mostrarem sua técnica em solos nos shows. A maioria das bandas fazía aquilo”, relembra. “Só para se ter uma ideia, alguns solos de Tony chegavam a durar meia hora! E nós ficávamos lá tocando a base para ele. Eu mesmo cheguei a fazer, várias vezes, solos de quinze minutos!”, completa o baterista, que costumava frequentar um clube de propriedade do jazzista Mick Evans, em Birminghan, onde aprendeu muito naquela época.

Segundo Ward, o Drumland era um clube exclusivo. “Eu digo exclusivo porque todos os bateristas de Birminghan apareciam por lá para mostrar o que sabiam. Rolavam jams e eu me sentia orgulhoso por fazer parte daquilo”, recorda. “Alguns dos bateristas mais conhecidos daquele período estavam sempre por lá, como John Banham e Mike Kellie, do Spooky Tooth, por exemplo. Ficávamos por lá tomando um chá ou um uísque vendo cada um tocar. Era muito improviso e aquilo me ajudou bastante”, completa.

Para ilustrar a capa do álbum, dessa vez o artista plástico Marcus Keef não criou uma cena sombria. Pelo contrário, há uma boa dose de humor na figura de calção, capacete de motociclista, espada e escudo numa movimentação aparentemente insana ao lado de uma árvore. O único mistério que chegou a ser levantado a respeito da imagem se refere a quem seria o modelo que a ilustra – muito se comenta, inclusive, que seria Bill Ward a encarnar essa imagem escrachada de um “porco da guerra” (lembre-se que o título original do álbum seria “War Pigs”). “Não faço a mínima ideia de onde tenha aparecído aquela imagem e devo dizer que detesto aquela capa! Uma coisa engraçada é que eu sonhei outro dia com ela e quando acordei, balancei minha cabeça e me perguntei: ‘Ainda estou vivo?!’ Nunca entendi aquela capa”, pondera 8ill. “Eu gosto muito da parte interna do encarte do disco, mas que fique claro que não sou eu na capa e se alguém achou isso algum dia, vou levar como um elogio”, diverte-se o baterista.

Paranoid acabou se tornando o único álbum do Black Sabbath a atingir o topo das paradas – e fez tanto nos EUA como no Reino Unido. Com  tempo, conseguiria sete Discos de Platina na Grã-Bretanha e quatro nos EUA, outra marca que nenhum outro álbum do quarteto atingiria. Como se isso fosse pouco, para muita gente Paranoid é o principal disco de Heavy Metal da história. Paranoid chegou no topo! Quer coisa mais popular do que essa?!”, finaliza Ward.

Cante uma canção para mim, voce e um cantor / Faça-me uma maldade, você é um servidor do mal / D demônio nunca é um criador, a menos que você conceda, você é um cliente / Então isto continua sem parar, é céu e inferno ...

Assim se inicia a faixa titulo do álbum Heaven And Hell, lançado pelo Black Sabbath há trinta anos e que se tornou mais um trabalho da banda que entrou para o rol dos clássicos do Heavy Metal.

A estreia do vocalista Ronnie James Dio (ex­Rainbow, ELF e outros) foi cercada de grande expectativa, especialmente porque a saída de um integrante original como Ozzy Osbourne havia deixado marcas profundas. “A saída de Ozzy me fez entrar gradativamente em uma tremenda depressão. Entendo o motivo pelo qual ele foi demitido, realmente, mas era a última coisa que eu queria. Ele deveria sair e aquela era a decisão correta a ser tomada para seguirmos adiante, eu sei, mas aquilo machucou meu coração”, diz o baterista Bill Ward. “Perder o convívio diário com um amigo próximo e, ainda, aquele som característico de sua voz – pois ele é único e ninguém soa como Ozzy -, me deixou temeroso”, completa.

Passado o impacto inicial da saída de Ozzy, a própria forma de trabalho da banda com Ronnie James Dia foi bem diferente do que Bill Ward, Tony lommi e Geezer Butler estavam acostumados. “Ronnie era praticamente independente, especialmente pelo modo como criava suas letras e melodias, sempre sabendo onde quer chegar. Não era assim que fazíamos no Black Sabbath, porque muitas vezes todo mundo dava ideias e esse não era um trabalho exclusivo de Ozzy”, explíca Ward.

Já Ronnie James Dia, que tem Heaven And Hell como seu disco preferido, se sentiu gratificado por poder recolocar a banda no patamar que ela merecia. “No Sabbath nós todos trabalhamos juntos e a banda tinha uma sonoridade mais simples, o que até me facilitava as coisas, na realidade. Criar melodias naquele padrão mais simples era até melhor para mim como vocalista, entende? E sempre gostei de compor e criar com o Sabbath, porque é mais pesado que o Rainbow e era mesmo isso que queria fazer!”, disse certa vez à ROADIE CREW.

Outra mudança durante o processo de composição foi o auxílio que tiveram de Geoff Nicholls, que posteriormente ficou conhecido como o tecladista do Sabbath, mas que originalmente era guitarrista do Quartz. O grupo chegou a dívidir o palco com o Sabbath diversas vezes e ainda teve o álbum de estreia, Quartz (1977), produzido por Tony lommi. Além disso, o single de Stoking The Fires Df Hell contou com a participação de Ozzy na faixa Circles.

Sendo assim, havia uma forte ligação entre Nicholls e o Sabbath, mas o músico acabou ajudando a banda inclusive em um outro momento crítico: a saída temporária de Geezer Butler. “Quando Geezer saiu por um tempo, estávamos com um substituto (N.R.: Craig Gruber, ex-ELF e Rainbow)”, destaca Ward, certo de que a ideia inicial para a faixa título veio de Nicholls, notadamente inspirada em Mainline Riders, do Quartz. “Sem desrespeitar Craig, mas foi muito difícil trabalhar sem Geezer na banda. Geoff Nicholls nos ajudou bastante”, completa.

O processo de composição foi encerrado em Miamí (EUA), onde a banda trabalhou em uma casa alugada de Barry Gibb (Bee Gees). Lá, compuseram Children Df The Sea, Die Young e a acelerada Neon Knights. Die Young é um dos grandes exemplos da destreza de Ronnie. Eu adoro essa música”, exalta Ward’ sobre a faixa que tem na letra escrita por Dio uma crítica ao consumismo e à futilidade da era moderna (Atrás do sorriso, o perigo e uma promessa a ser contada / Você nunca vai ficar velho ha! / A fantasia da vida para ser trancada e ainda pensar que você é livre).

Já a letra de Neon Knights, que foi a última faixa composta para o disco, segue mais o lado de lendas, mítos e cultura medieval, algo ~ Que Ronnie James Dia adotaria ainda  mais em sua carreira solo (Círculos õ e anéis, dragões e reis / Tecendo um encanto e um feitiço / Abençoado pela – noite, sagrada e luminosa / Chamado ~ pelo toque dos sinos).

No entanto, a primeira faixa composta pela formação que gravou o disco foi Children Df The Sea – e, segundo o vocalista Bruce Dickinson (Iron Maiden), inspirou Children Of The Damned, faixa do álbum The Number Df The Beast.

O Black Sabbath estava com um material primoroso em mãos e para gravar o disco contou com o experiente produtor inglês Martin Birch, que havia conquistado fama por seus trabalhos com Deep Purple, Rainbow, Whitesnake e, posteriormente, com lron Maiden. ‘Já o conhecíamos e sabíamos de sua reputação. Martin é muito bom e um cara fácil de se lidar”, analisa Ward sobre as sessões nada tranquilas ocorridas no Criteria Studios, em Miami.

Ward não estava em um momento pessoal dos melhores e seu abuso com drogas e álcool estava chegando ao limite. Depois de algum tempo, mais precisamente no final de 1979, as coisas se acalmaram com a volta de Geezer Butler. Bill Ward se sentiu mais confiante e os trabalhos seguiram no estúdio Ferber, localizado em Paris.

Em março de 1980 a gravação foi finalizada e Heaven And HeI! foi ao mercado em 25 de abril.

A marcante arte da capa foi feita pelo norte­americano Lynn Curlee, que na época residia em Los Angeles e que nos anos 70 trabalhava apenas com exposições em galerias de arte. O artista foi “descoberto” pelo Blue byster Cult e criou a capa do álbum Agents Df Fortune (1976), sua primeira obra para uso comercial. Com a ligação entre o ‘managment’ do Blue byster Cult e do Black Sabbath, Curlee foi procurado e ofereceu a imagem dos anjos fumando que havia feito no ano anterior para expor em uma galeria de propriedade da atriz Faye Dunaway, em Santa Monica.

Amparado por faixas como Neon Knights, Die Young, Children Df The Sea e Heaven And HeI! – todas lançadas em single -, o disco atingiu a 9a posição nas paradas inglesas e o 28° posto nos EUA, conquistando Disco de Ouro em janeiro de 1981 e Disco de Platina cinco anos depois. Porém, como se não bastasse passar por problemas antes e durante as gravações e ao longo de todo o processo de composição, Bill Ward sentiu não estar ao lado de Ozzy durante a Heaven And Hell Tour”, iniciada a 17 de abril de 1980 em Aurich (ALE). “Ao vivo a coisa ficou mais complicada para mim. As novas músicas que haviamos gravado com Ronnie, como Neon Knights, Die Young e Heaven And HeI!, ficaram muito boas, mas ainda tocávamos muitas da fase Ozzy e não era a mesma coisa. Ronnie cantando Black Sabbath era estranho”, analisa o baterista. “O fato é que eu não sentia a mesma emoção que tinha quando Ozzy estava na banda e isso sempre oi um problema, até mesmo quando voltei para a banda em 1983 para trabalhar com lan Gillan”, completa.

A coisa foi bem no início e o ponto aijo foram os shows no Hammersmith Odeon, em Londres, que ocorreram em maio. Nestas apresentações ‘sold out’ foram gravados os clipes de Die Young e Neon Knights. Após uma passagem pelos EUA  e alguns shows no Reino Unido, a situação ficou insustenvel, ocasionando a saída do baterista. “Eu já estava deprimido, mas minha dependência das drogas e o álcool tornou a coisa pior. Atingi um ponto em que estava sem condições para tocar bem. Estava tão detonado que não consegui tocar em um show daquela turnê. Aquilo foi o ápice”, conta Ward. “Antes eu conseguia estar no palco sem deixar que as drogas e o álcool interferissem, mas daquela vez eu estava perdendo. Estava no fundo do poço, sem escolha. As drogas venceram e eu tinha ultrapassado todos os limites”, completa.

Mais uma vez, o Sabbath passava por um momento delicado, mas a entrada do norte-americano Vinny Appice (ex-Axis e Rick Derringer) deu novo ãnimo ao grupo. O músico, que cresceu ouvindo Black Sabbath e tem entre seus discos preferidos Black Sabbath (1970), foi elogiado por seu antecessor. “Ele é muito bom! Toca bem forte, no tempo e não necessita fazer as mesmas coisas que eu fazia. Vinny é meu amigo e penso que foi a escolha certa para a banda”, observa Ward, que atualmente trabalha em três álbuns distintos e pretende lançar ao menos um deles este ano.

A importância de Heaven And HeI! para Black Sabbath ultrapassou seu status de clássico e sua excelência para o Heavy Metal, se tornando o próprio nome da banda. O grupo Heaven & Hell, que lançou no ano passado o álbum The Devil Vou Know, atualmente se encontra aguardando a recuperação de Ronnie James Dio, que segue seu tratamento contra o câncer. “Não costumo falar ou encontrar muito com ele, mas enviei uma mensagem para Ronnie recentemente desejando-lhe tudo de melhor. Quero que ele se recupere logo!”, diz Bill Ward, que tocou com o Sabbath ao vivo pela última vez há quatro anos, durante suas idas e vindas na ‘reunion’ com Ozzy, que durou de 1997 a 2006. “Mas eu quero tocar ao vívo e espero que no Brasil!”, completa.

Bill Ward pode estar afastado dos palcos e não atuar com Ozzy Osbourne, Geezer Butler ou Tony lommi, mas mantém o contato com seus ex-companheiros de banda. “Falo sempre com eles! Me dou bem com Geezer, conversei com Tony uma semana e meia atrás e mandei um e-mail para Ozzy ontem retomando uma ligação dele. Meu relacionamento é bom com todos eles!”, finaliza o baterista, que apontou Masters Df Reality (1971) como seu disco preferido do Black Sabbath. Só que esta comemoração fica para o ano que vem ...

Por Ricardo Batalha

Colaborou Thiago Rahal Mauro

Após a gravação do álbum Headless Cross (1989), o Black Sabbath estava em busca de um baixista para realizar a turnê de promoção, já que o material havia sido registrado pelo músico de estúdio Laurence Cottle – que, inclusive, aparece no clipe da faixa título. “Para gravar Headless Cross eles contaram com um baixista de Jazz muito bom, Laurence Cottle, e depois buscavam alguém para fazer a turnê. Começaram a fazer os testes, mas ninguém parecia ser o cara certo para a banda. Antes mesmo de gravar aquele álbum, acredito que eles já estavam em busca de um baixista e tiveram que usar Laurence para oreencher a vaga”, descreve Neil Murray.

Para substituir “paredes” como Geezer Butler/ 3ill Ward ou Geezer ButlerNinny Appice, a banda orecisava de uma dupla com o mesmo impacto e então o baterista Cozy Powell intercedeu. “Eu tinha feito um trabalho com a banda japonesa Vow Wow e acabei me encontrando com os caras do Sabbath em uma festa organizada por uma revista de Rock. Me entrosei bem com eles e acredito que Cozy me indicou. Claro que ter tocado com ele no Whitesnake provavelmente ajudou na escolha, mas se eu fosse uma pessoa dificil de se relacionar, mesmo sendo um bom músico, ou então um cara legal que não tocasse direito, não teria conseguido a vaga”, relembra Murray, que pouco tempo depois já estava com a banda em Birmingham. “Não existem muitos baixistas no Reino Unido que têm grande experiência neste nível alto de exigência, ainda mais para combinar com o Sabbath, especialmente se você tem que tocar numa linha próxima à que Geezer originalmente tocava. Além disso, eram muitas músicas de diferentes estilos e de várias fases da banda”. completa.

Neil Murray. que tinha grande entrosamento com Cozy Powell, foi então oficializado como integrante da banda. “Apesar de toda aquela imagem obscura, os caras do Sabbath eram muito fáceis de se lidar”, analisa o baixista. “Tony lommi dá aquela impressão de ser uma pessoa carrancuda, mas é muito engraçado e um cara muito legal. Ele é como Cozy, que não tolera atitudes antiprofissionais, mas se você faz bem seu trabalho e não é um cara antipático, tudo vai bem”, completa.

Como naquela época o Black Sabbath tinha Tony lommi e Cozy Powell como pilares, a coisa fluiu de forma tranquila e, embora a estrutura inicial das composições começasse com os riffs de lommi, todos participavam do processo criativo. “Apesar de Tony Martin e Geoff Nicholls estarem na banda há alguns anos, o Sabbath girava em torno de Tony e Cozy. Mesmo assim, todos os músicos contribuíam com ideias”, constata Neil Murray.

Após um período de ensaios em Birmingham, Sabbath partiu para o Rockfield Studíos, no País de Gales, para iniciar as gravações do novo álbum, Tyr. “Ficamos algumas semanas por lá, mas muita coisa de guitarra, baixo, teclado e vocal foi gravada, ou regravada, no Woodcray Studios”, recorda o baixista.

A produção do álbum ficou nas mãos de lommi e Powell, que trabalharam ao lado do engenheiro de som Sean Lynch. “Devo admitir que fiquei um pouco desapontado com a mixagem final, porque eu queria que o baixo soasse mais, como nos álbuns dos anos 70 do Sabbath. Porém, com Cozy no comando, a bateria ficou com mais destaque”, ressalta Murray.

Durante as sessões em estúdio, grande parte do processo de gravação contou com apenas uma guitarra guia, gravada junto com a bateria. “Baixo, vocais, teclados e algumas novas linhas de guitarra foram adicionados depois. Eu acharia melhor se tivéssemos gravado todos juntos como uma banda, pois acredito que teria ficado melhor”, analisa Neil.

Entre as peculiaridades do álbum está o próprio título. Para os germânicos, Tyr é um deus da guerra, patrono da justiça e também um dos precursores de Odin. Ao lado dos vikings, Tyr abriu caminho para Odin, que a partir disso se tornou um dos mais temidos deuses da guerra. As letras se baseiam nesses contos e são, de fato, bastante explicativas, como na trilogia The Battle Df Tyr (instrumental), Ddin’s Curts e Valhalla ­um prato cheio para quem gosta de mitologia nórdica. “Algumas músicas versam sobre a mitologia nórdica, que foi uma forma de afastar o estigma de só falar sobre demõnios e do mal”, explica o baixista. p,or causa dessa temática, muitos acabaram considerando Tyr um álbum parcialmente conceitual. “Ele nunca foi planejado para ser conceitual”, afirma Neil.

Tyr foi um trabalho que marcou a fase de Tony Martin no Black Sabbath e mostrou o vocalista muito mais confiante e atuante, inclusive como um dos principais compositores. “Alguns fãs são muito conservadores e não querem ouvir nada diferente daquela fase dos anos 70 do Sabbath. A voz de Tony Martin naturalmente deixou as músicas mais melódicas do que algumas pessoas queriam”, adverte o baixista.

O fato é que, com o passar do tempo, a banda mudou gradativamente sua sonoridade, principalmente depois da saida do vocalista Ozzy Osbourne. Porém, uma única característica não havia mudado: o peso das guitarras de lommi. “Devemos lembrar que quem compõs a maior parte destas músicas foi lommi e ele nunca quis copiar o que a banda tinha ferro no passado. Ele ficou contente com as composições e com a forma como o Sabbath estava soando naquela época”, relata.

O disco abre com Anno Mundi (The Vision). Sua letra apocaliptica casa perfeitamente com os climas adotados pela banda, cheio de corais e teclados, além do já citado peso das guitarras. Na sequência vem a faixa The Law Maker, a única mais acelerada do disco e que mostra a pegada forte de Cozy Powell. O trabalho segue com Jerusalem, que se mostra pesada mas cadenciada – lembrando um pouco a linha adotada em Headless Cross. A música ainda ganhou uma nova versão no álbum solo de Tony Martin, Back Where I Belong (1992). Quem assistiu aos últimos shows do vocalista em terras brasileiras põde ver ao vivo algumas dessas composições, que até recentemente pareciam perdidas no tempo.

Na época do lançamento, em agosto de 1990, os ingleses não estavam indo tão bem quanto queriam no mercado musical, principalmente devido ao fraco desempenho do Heavy Metal e da meteórica ascensão do Grunge. A sonoridade do álbum era ainda mais épica do que o normal, com toques magistrais de Geoff Nicholls nos teclados e, obviamente, dos demoníacos riffs de lommi, o que ia na contramão do que as rádios e a MTV queriam naquele momento.

Os resuttados de Tyr não foram os esperados, pois o disco atingiu o 240 lugar no Reino Unido e a tímida 1170 posição nos EUA, ainda que amparado pela grande exposição do clipe da balada Feels Good To Me, gravado no Sheperds Bush Empire Theatre, em Londres. “Foi uma decisão da gravadora, mas concordo que aquela era a única música que tinha apelo para ser veiculada na MTV. Mesmo assim, acho que o vídeo não ficou tão legal”, cutuca Murray.

A “Tyr Tour” começou no dia 1 o de setembro com um show em Wolverhampton (ING) e trouxe no set Iist músicas tocadas apenas uma vez com esta formação, como Feels Good To Me, Heart Like A Wheel e Ddins Court. “Nós apresentávamos uma mescla de novas músicas e antigos clássicos, mas parte da plateia queria ouvir só as mais velhas. E com Geezer no baixo, diga-se! Porém, em alguns lugares como a Alemanha, Headless Cross obteve sucesso e as músicas foram bem aceitas”, diz Neil.

Ao final do show ocorrido a 8 de setembro no Hammersmith Odeon, em Londres, Geezer Butler e Brian May (Queen) participaram do bis. “Apesar de eu não ser um clone de Geezer, nós temos quase as mesmas influências e nas músicas em que pude improvisar toquei em um estilo que combinava com o Sabbath daquela fase”, analisa Neil.

Devido ao baixo rendimento financeiro (que fique claro) dessa formação, a banda resolveu voltar com Ronnie James Dio nos vocais para lançar, dois anos depois, o estupendo Dehumanizer (1992). “Nos divertimos muito durante as turnês de 1989 e 1990, embora tenha sido decepcionante que a IRS Records não tenha tido condições de promover os álbuns da forma que esperávamos, partícularmente nos EUA”, esbraveja o baixista. “Essa falta de apoio levou à frustração e isto tem muito a ver com o retorno de RElnnie e Geezer, ao invés de muda de gravadora nos EUA para tentar ocar em grandes casas de shows”, completa Neil.

No final de novembro, a turnê de Tyr foi encerrada com o saldo amargo de ter tido algumas datas canceladas, inclusive uma no Brasil. No mês seguinte, Neil Murray cedeu o posto a Geezer Butler e, em janeiro de 1991, Tony Martin foi dispensado da banda. Agora, fica a pergunta: será que eles voltariam com Dio se o disco tivesse vendido bem? Essa é uma questão que talvez nem o tempo responda … “Prefiro que os fãs e os jornalistas comentem sobre o que fizemos! Tyr é um álbum muito bom e um dos que mais senti orgulho de ter gravado”, finaliza Neil Murray .•.

1 Comentário

  1. […] Especial Black Sabbath […]


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